Amou. E ama. E amará.Só não quer que seu amor
seja uma prisão de dois,
um contrato, entre bocejos
e quatro pés de chinelo.
(Trecho de "A mesa" de Carlos Drummond de Andrade)
Acabou com um tapa. Simples assim.
Foi numas dessas noites em que eu só queria dormir. Ah, mas ele apareceu, com aquele jeitinho sorrateiro. Irritante. Quando a gente tá naqueles dias é assim, tudo irrita com facilidade.
Pensei: nada vai me tirar o sono. N-a-d-a! Mas ele insistiu. Mordiscou meu pescoço levemente. Depois minhas pernas, ia subindo... virei de lado. Argh... inoportuno. Dei um chute, acertei a parede e logo me arrependi da ação violenta. Ai, meu pezinho. Zombeteiro. Enfiei-me debaixo dos lençóis. Calor. Sono, sono, sono, e nada de conseguir dormir com o impertinente no pé do ouvido.
Vi a manhã nascer. Passarinhos cantando, luzes e sombras se misturando pelas frestas da janela. Fui pra frente do computador com minha xícara de café com leite, desejando um pouco de paz apesar da minha "cara-de-quem-vai-matar-alguém-hoje". E não é que ele veio pro meu lado assim mesmo? O sangue me subiu de tanta raiva. Não aguentei. Levantei e taquei as mãos nele. E acabou ali. Maldito pernilongo!
;-)
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